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Taça da Liga – Águia voa imperial no céu azul (0x0; 3×4 g.p)

Se ainda houvesse alguma lógica no futebol – e, às vezes, há mesmo – Benfica e FC Porto seguiriam para a final da Taça da Liga. O FC Porto pela vitória que procurou sempre com muita crença, os encarnados pela arte na estratégia que levaram a cabo. Levou a melhor a equipa benfiquista, com 10 em campo (outra vez). A equipa da Luz venceu no desempate das grandes penalidades e vai agora disputar a final com o Rio Ave.

Castro apostou forte, Jesus em plano B

A primeira conclusão do clássico da Taça da Liga é óbvia: foi jogo a sério, muito a sério para o FC Porto. Os dois rivais apresentaram-se no palco azul e branco com o objetivo de vencer e carimbar a passagem para a final da mais jovem competição do calendário profissional mas foi-se notando uma maior vontade do lado portista em carregar mais perante um Benfica em clara gestão.

Com o "traje" de gala e de festa guardado, pois o jogo não era de campeonato e o título já lá vai, o Benfica entrou, todavia, apostado em vencer na casa do rival nortenho.

A somar a isso, o ambiente até poderia intimidar uma águia mais desgastada, mas há muito que a equipa de Jorge Jesus ganhou confiança para voar sobre qualquer rival. E por isso também os encarnados entraram tranquilos no Dragão.

O clima nas bancadas do Dragão estava longe de ser de euforia como em outras tardes/noites mas a ambição azul tem sempre na mente a palavra "vencer", sobretudo quando pela frente está o grande rival histórico e principal opositor do domínio portista no futebol nacional dos últimos anos. Por isso, a confiança portista rapidamente passou para dentro de campo.

Tal como no passado, águias e dragões queriam reclamar para si o passaporte para uma final e deixar pelo caminho o rival. Escrever mais um pedação de história, numa cavalgada que se conquista, de uma a vontade que se impõe.

O FC Porto – como lhe competia dado que perdeu o campeonato, a Taça de Portugal e está afastado das competições europeias – encarou o rival com toda a seriedade e teve a resposta devida das bancadas que apoiaram o conjunto orientado por Luís Castro. Os dragões foram senhores do jogo, embora o Benfica tenha entrado alheio à pressão contrária e bem mais tranquilo.

O conjunto de Jorge Jesus mostrou-se, contudo, sempre ciente das próprias contas e do calendário apertado. Daí que pertenceram sempre mais ao FC Porto as despesas do jogo e o risco na partida.

Nas apostas iniciais, Luís Castro apostou nos regressos de Fernando e Ricardo Quaresma, depois de terem cumprido castigo no último jogo com o Rio Ave para o campeonato. Varela, que treinou condicionado durante a semana, apareceu entre os eleitos. De resto, novidade para a titularidade de Maicon ao lado de Mangala no eixo da defesa portista, que teve ainda Danilo na direita e Alex Sandro na esquerda. Jackson Martínez, naturalmente, foi a referência de área.

Já Jorge Jesus, por seu lado, poupou Nico Gaitán e Ljubomir Fejsa para o duelo com a Juventus, na quinta-feira, para a Liga Europa. Por isso, o técnico encarnado apostou numa espécie de "plano B". André Almeida e Guilherme Siqueira foram lançados para as laterais, Jardel e Steven Vitória apareceram no eixo da defesa. No meio-campo, André Gomes e Rúben Amorim dividiram as despesas a meio, enquanto que Ivan Cavaleiro, mais à frente, teve a companhia de Sulejmani na ajuda a Cardozo e Lima, este domingo as referências de área no duelo com o FC Porto.

Após uns primeiros minutos da partida muito repartidos com o jogo a desenvolver-se a meio do terreno, deu sempre mais FC Porto.

Aos 10 minutos, os dragões executaram a primeira ocasião de golo. Herrera teve uma arrancada pela esquerda, passou por Steven Vitória, cruzou em cima da linha mas Jackson – apesar de ter ganho nas alturas – cabeceou por cima. Estava dado o primeiro sinal de perigo.

Aos 15 minutos foi a vez de Silvestre Varela aparecer isolado perante Oblak, ligeiramente descaído para a direita do ataque, mas o remate do internacional português saiu ao lado das redes do esloveno. Héctor Herrera voltou a estar envolvido na jogada. O mexicano serviu de forma rasteira o extremo português nas costas da defesa encarnada, só que Varela, na rotação, acabou por não ter o melhor enquadramento e atirou ao lado. Voltava a desperdiçar o dragão!

E assim se ia desenrolando a partida. Aos 21 minutos, Jackson Martínez levou ao desespero os adeptos portistas, após maus uma jogada que teve Herrara (outra vez!). O médio ganhou duas vezes a Steven Vitória e depois serviu Jackson Martínez que no "coração da área" atirou por cima.

Antes dos 30 minutos, Varela e Jackson combinaram uma jogada de ataque mas o colombiano, quando estava isolado na área mas em diagonal, permitiu a mancha a Oblak. Um minuto depois foi a vez de Steven Defour rematar por cima quando tinha espaço, após mais uma jogada construída por Herrera.

O mexicano era nesta fase o melhor em campo. Jogava, fazia jogar e deixava a defensiva do Benfica baralhada, num reflexo daquilo que era a partida. Com meia hora de jogo, apenas o FC Porto tinha tentado abrir o marcador. A equipa azul e branca estava por cima da partida e ia colecionando ocasiões de golo em jogadas levadas a cabo quase sempre por Herrera.

Antes do intervalo, aos 32 minutos, Steven Vitória recebeu ordem de expulsão. O central ex-Estoril derrubou Jackson Martínez quando o colombiano se encaminhava para a baliza. Marco Ferreira, árbitro da partida, decidiu exibir o cartão vermelho ao defesa.

Jorge Jesus, no banco, optou por retirar Lima e colocar Garay para compor a defesa, numa altura em que, por exemplo, Cardozo era uma das unidades mais apagadas no conjunto da Luz.

Com mais um em campo, o FC Porto continuou a rondar a baliza de Oblak. Aos 38 minutos, Jackson Martínez voltou a falhar de forma incrível. O colombiano apareceu isolado perante o guarda-redes do Benfica mas a rápida reação do guardião dos encarnados fez com que Jackson tivesse que optar por dar um ligeiro toque na bola e esta acabou por sair ao lado a poucos centímetros da baliza benfiquista.

Ao intervalo registava-se um nulo no marcador.

Garay a comandar as operações na defesa

Para o segundo tempo o Benfica viu-se obrigado a repensar a sua distribuição em campo, recolhendo-se (ainda mais), sobretudo com a intenção de evitar males maiores num curto espaço de tempo. E que poderiam ser fatais na decisão da partida.

Pelo contrário, os portistas, nitidamente mais empolgados no jogo, continuaram a tentar o golo.

André Gomes e Amorim tentavam ampliar o seu raio de ação para se movimentarem junto de Cavaleiro; praticamente só sobrava Cardozo na frente. Siqueira e Sulejmani aproveitavam (bem) os espaços nas costas da defesa portista mas sem "carrilar" muito jogo para o avançado paraguaio do Benfica.

No lado portista, Fernando controlava (bem) a teia no miolo sempre apoiado por Herrera. Mas Luís Castro queria mais, queria golos e lançou em campo Juan Quintero, que rendeu Defour.

Jesus respondeu pouco depois com a entrada em cena de Lazar Markovic. O craque sérvio entrou para o lugar de Cardozo. O técnico do Benfica queria mais velocidade no ataque encarnado, numa fase em que, tal como na primeira, havia um FC Porto de contrução mas a falhar na concretização.
Na troca de "argumentos" entre treinadores no que respeita a alterações, os 26 mil 109 espectadores presentes no Dragão viram Luís Castro avançar com Nabil Ghilas para o lugar de Ricardo Quaresma, aos 72 minutos.
Tal como no jogo da segunda mão da meia final da Taça de Portugal, na Luz, o FC Porto não conseguia "furar" a defensiva encarnada, que baixou linhas e que estancou os pontos fortes dos dragões. A equipa de Luís Castro voltava a não mostrar capacidade para jogar contra 10 benfiquistas.

Quando o jogo entrou nos últimos 10 minutos do tempo regulamentar, os adeptos começavam a sentir a possibilidade de uma decisão nas grandes penalidades.

O encontro estava "partido" e o golo podia cair para qualquer um dos lados. Ivan Cavaleiro recebeu perto da grande área portista, tinha espaço para disparar, demorou e perdeu a bola. Na resposta, na área contrária, Jackson ia disparar às redes de Oblak mas Garay cortou na hora H.

A verdade é que o jogo terminou no seu tempo regulamentar e a decisão estava reservada para os penáltis, onde o Benfica foi mais forte e carimbou a passagem para a final da Taça da Liga. O adversário será o Rio Ave.

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