{"id":5458,"date":"2014-04-11T16:16:44","date_gmt":"2014-04-11T15:16:44","guid":{"rendered":"http:\/\/ptsat.net\/wp\/o-meu-pais-nao-e-deste-presidente-nem-deste-governo\/"},"modified":"2014-04-11T16:16:44","modified_gmt":"2014-04-11T15:16:44","slug":"o-meu-pais-nao-e-deste-presidente-nem-deste-governo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ptsat.net\/wp\/o-meu-pais-nao-e-deste-presidente-nem-deste-governo\/","title":{"rendered":"O meu pa\u00eds n\u00e3o \u00e9 deste Presidente, nem deste Governo"},"content":{"rendered":"<div><!-- google_ad_section_start -->Alexandra Lucas Coelho recebeu nesta segunda-feira o <acronym title=\"Google Page Ranking\">pr<\/acronym>\u00e9mio APE pelo romance <i>E a Noite Roda<\/i>. Este \u00e9 o texto do discurso que fez, no qual critica o actual poder pol\u00edtico.<\/p>\n<div>\n<div>Cita\u00e7\u00e3o:<\/div>\n<div>\n<hr \/>\n<p>\t\t\t&quot;Eu gostava de dizer ao actual  Presidente da Rep\u00fablica, aqui representado hoje, que este pa\u00eds n\u00e3o \u00e9  seu, nem do governo do seu partido. \u00c9 do arquitecto \u00c1lvaro Siza, do  cientista Sobrinho Sim\u00f5es, do ensa\u00edsta Eug\u00e9nio Lisboa, de todas as vozes  que me foram chegando, ao longo destes anos no Brasil, dando conta do  pesadelo que o governo de Portugal se tornou: Siza dizendo que h\u00e1 a  sensa\u00e7\u00e3o de viver de novo em ditadura, Sobrinho Sim\u00f5es dizendo que este  governo rebentou com tudo o que fora constru\u00eddo na investiga\u00e7\u00e3o, Eug\u00e9nio  Lisboa, aos 82 anos, falando da \u201ctotal anestesia das antenas sociais ou  simplesmente humanas, que caracterizam aqueles grandes pol\u00edticos e  estadistas que a Hist\u00f3ria n\u00e3o confina a m\u00edseras notas de p\u00e9 de p\u00e1gina\u201d.<\/p>\n<p>   Este pa\u00eds \u00e9 dos bolseiros da FCT que  viram tudo interrompido; dos milh\u00f5es de desempregados ou trabalhadores  prec\u00e1rios; dos novos emigrantes que vi chegarem ao Brasil, a mais bem  formada gera\u00e7\u00e3o de sempre, para darem tudo a outro pa\u00eds; dos muitos  leitores que me foram escrevendo nestes tr\u00eas anos e meio de Brasil a  perguntar que conselhos podia eu dar ao filho, \u00e0 filha, ao amigo, que  pensavam emigrar.<\/p>\n<p>   Eu estava no Brasil, para onde ningu\u00e9m  me tinha mandado, quando um membro do seu governo disse aquela coisa  escandalosa, pois que os professores emigrassem. Ir para o mundo por  nossa vontade \u00e9 t\u00e3o essencial como n\u00e3o ir para o mundo porque n\u00e3o temos  alternativa. <\/p>\n<p>  Este pa\u00eds \u00e9 de todos esses, os que  partem porque querem, os que partem porque aqui se sentem a morrer, e  levam um pa\u00eds melhor com eles, forte, bonito, inventivo. Conheci-os,  est\u00e3o l\u00e1 no Rio de Janeiro, a fazerem mais pela imagem de Portugal, mais  pela rela\u00e7\u00e3o Portugal-Brasil, do que qualquer discurso oco dos  pol\u00edticos que neste momento nos governam. Contra o clich\u00e9 do portugu\u00eas, o  portugu\u00eas do inho e do ito, o Portugal do apoucamento. Est\u00e3o l\u00e1,  revirando a hist\u00f3ria do avesso, contra todo o mal que ela deixou, desde a  coloniza\u00e7\u00e3o, da escravatura. <\/p>\n<p>  Este pa\u00eds \u00e9 do Changuito, que em 2008  fundou uma livraria de poesia em Lisboa, e depois a levou para o Rio de  Janeiro sem qualquer ajuda p\u00fablica, e acartou 7000 livros, uma tonelada,  para um 11\u00ba andar, que era o que dava para pagar de aluguer, e depois  os acartou de volta para casa, por tudo ter ficado demasiado caro. Este  pa\u00eds \u00e9 dele, que nunca se sentaria na mesma sala que o actual presidente  da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>   E \u00e9 de quem faz arte apesar do mercado,  de quem luta para que haja cinema, de quem n\u00e3o cruzou os bra\u00e7os quando o  governo no poder estava a acabar com o cinema em Portugal. Eu ouvi  realizadores e produtores portugueses numa confer\u00eancia de imprensa no  Festival do Rio de Janeiro contarem aos jornalistas presentes como 2012  ia ser o ano sem cinema em Portugal. Eu fui vendo, \u00e0 dist\u00e2ncia, autores,  escritores, artistas sem dinheiro para pagarem dividas \u00e0 seguran\u00e7a  social, luz, \u00e1gua, renda de casa. E tanta gente esquecida. E ainda  assim, de cada vez que eu chegava, Lisboa parecia-me pujante, as pessoas  juntavam-se, inventavam, aos altos e baixos.   <\/p>\n<p>N\u00e3o devo nada ao governo portugu\u00eas no  poder. Mas devo muito aos poetas, aos agricultores, ao Rui Horta que  levou o mundo para Montemor-o-Novo, \u00e0 B\u00e1rbara Bulhosa que fez a editora  em que todos n\u00f3s, seus autores, queremos estar, em cumplicidade e  entrega, num mercado cada vez mais hostil, com margens canibais.   <\/p>\n<p>Os actuais governantes podem achar que o  trabalho deles n\u00e3o \u00e9 ouvir isto, mas o trabalho deles n\u00e3o \u00e9 outro se  n\u00e3o ouvir isto. Foi para ouvir isto, o que as pessoas t\u00eam a dizer, que  foram eleitos, embora n\u00e3o por mim. Cargo p\u00fablico n\u00e3o \u00e9 <acronym title=\"Google Page Ranking\">pr<\/acronym>\u00e9mio, \u00e9  compromisso.<\/p>\n<p>   Portugal talvez n\u00e3o viva 100  anos, talvez o planeta n\u00e3o viva 100 anos, tudo corre para acabar,  sabemos, Mas enquanto isso estamos vivos, n\u00e3o somos sobreviventes.&quot;<\/p>\n<hr \/><\/div>\n<\/div>\n<p>In: p\u00fablico<\/p>\n<p>\n(Por uma quest\u00e3o de tamanho apenas coloquei a critica, mas o texto completo do discurso pode ser visto aqui:<\/p>\n<div>\n<div>C\u00f3digo:<\/div>\n<hr \/>\n<p><code>http:\/\/www.publico.pt\/cultura\/noticia\/discurso-alexandra-lucas-coelho-1631449<\/code><\/p>\n<hr \/>\n<\/div>\n<p><!-- google_ad_section_end --><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alexandra Lucas Coelho recebeu nesta segunda-feira o pr\u00e9mio APE pelo romance E a Noite Roda. Este \u00e9 o texto do discurso que fez, no qual critica o actual poder pol\u00edtico. 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